13 de setembro de 2013

24 de agosto de 2013

Circo Avoador 2013


Acervo particular

Imagine o mundo de hoje sem televisão e sem internet... já parou pra pensar? O que às vezes busco com essa retomada de cenas como a chegada de um pequeno circo mambembe numa cidade que mal cabe o circo!... É falar de um tempo em que tudo era atração, o parque, o cinema, os desfiles de 7 de setembro, até as novenas e procissões, eram coisas aguardadas por todos e ainda são em muitos lugares, pois pintar assim como estas manifestações, é algo que parte do espírito e da necessidade de se apegar a algo palpável e que o ponha dentro de uma tradição, nos fazendo um ser social e não apenas um endereço eletrônico.

Assis Costa

11/12/2013.

21 de julho de 2013

TEXTO DE EDRISI FERNANDES

Dom Quixote é uma figura que pertence ao imaginário cultural do Ocidente - um esguio cavaleiro/cavalheiro idealista, visionário e sonhador, acompanhado em suas aventuras pelo seu rotundo companheiro/escudeiro Sancho Pança, representação da realidade crua e do senso comum, mas também da amizade possível entre os diferentes. A escritora francesa Dominique Aubier propôs que Miguel de Cervantes teria sido um marrano que nomeou seu herói (Quijote, em castelhano) com base na palavra aramaica q’shot, qeshot, que significa “verdade” ou “certeza”. Pode-se dizer pelo menos, citando Cervantes, que na obra Don Quijote, “a arte, imitando a Natureza, parece que ali a vence”, e sugerir que a obra/a arte (a exemplo da vida, sob uma perspectiva metafísica) tem uma verdade que transcende toda nostalgia, ironia ou fantasia. Considerada em maio de 2002, por uma comissão internacional de críticos literários, como o melhor livro de ficção já escrito, Don Quijote já inspirou inúmeros artistas, que não desapontaram o engenhoso fidalgo que havia profetizado nas páginas de Cervantes: “Feliz idade e feliz século aquele onde sairão à luz as minhas famosas façanhas, dignas de entalhar-se em bronzes, esculpidas em mármores e pintadas em telas para a memória do futuro”. O multiartista curraisnovense/cosmopolita Assis Costa resolveu dar a sua contribuição para testar os limites da quixotesca(?) profecia, experimentando uma nova forma de arte, que bem poder-se-ia chamar “vinarela” (pintura com “vinum”, e não com “aqua”), como forma de representar cenas da vida e da tradição do Quixote. Muitas uvas, safras e taças depois, eis que se cumpre um outro vaticínio – este, do historiador e professor gaúcho Voltaire Schilling, que percebeu que o “soberbo doido” Dom Quixote “está vivíssimo” nos dias de hoje, em prontidão para enfrentar o gigante Briareu (não importa se disfarçado de moinho de vento ou de torre de televisão!) e espantar as injustiças. Assis Costa veste a armadura do Quixote e, empunhando o pincel no lugar da lança (e segurando na outra mão uma taça), confronta as adversidades da mesmice, da banalidade e da rasteireza na planície da arte contemporânea, recusando o óbvio sem descuidar do clássico e exaltando o figurativo com as cores do onírico. Com Assis e Quixote combatemos o bom combate pela arte, que persevera ao final. E nada mais oportuno que celebrar essa vitória com um bom vinho...

Edrisi Fernandes
Médico e apreciador do belo e do sublime;
Prof. da Especialização em Estudos Clássicos da UnB e

Prof. Colaborador do Mestrado em Filosofia da UFRN

7 de junho de 2013

EXPOSIÇÃO: "DOM QUIXOTE DE LA MANCHAS DE VINHO". DE 20/06 A 19/07 .






Entre amigos germinou a idéia: experimentação. Entre taças e traços eis que surgiram imagens que revelam as andanças de Dom Quixote e seu fiel companheiro Sancho Pança. Neste sentido, vislumbra-se nessa exposição uma arte que busca além da técnica, uma conversa com a imaginação.
O artista plástico Assis Costa, parte do imaginário literário de Cervantes e o transcende através da pintura, utilizando o vinho como recurso pictórico, este que é um símbolo cultural, presente na humanidade desde as primeiras civilizações, orbitando o universo dicotômico, da vida e/da morte, do sagrado e/do profano, matéria prima eterna ou efêmera? Não podemos ter certezas, pois o que realmente importa é que a arte não possui o compromisso com a durabilidade, embora muitos crêem que sim, mas com a expressão sincera do artista. Com isso, a sua arte multifacetada nos leva ao encontro de Dom Quixote e seu mundo, entre tons fluidos, diluídos pelo papel dirigidos pelas mãos hábeis do artista, constrói histórias singulares, dignifica cada personagem, possibilitando um novo olhar que caminha por estradas da Europa ao Sertão. Narra os desejos, o amor, a loucura do homem, sintetizadas na figura lúdica de Dom Quixote e sua trupe fantástica.
Assis Costa como primeiro expectador de sua obra, investiga, critica, re-constrói e nesse metier nos convida a refletir o sentido da vida, o que vale realmente existir e insistir. Logo, pensar na arte é ter a oportunidade de perceber o mundo com sensibilidade, pois ao provocarmos nossa percepção (re) dimensionamos o mundo para um estado de “insanidade” precisa, porque o mundo necessita dos ditos loucos que façam da arte o seu caminho.

Ilka Pimenta

Graduada em História –UFRN.